[#47] O cair da tarde
O que restará do declínio da luz?
Adoro a simbologia da manhã, da tarde e da noite como metáfora do que é a nossa vida. Pela manhã, a aurora rompe gloriosa, os primeiros raios de sol nos trazem esperança, o canto dos pássaros é como música; estamos acordando para um novo dia.
O cair da tarde é o morrer para si. É terminar o dia espremido que nem limão porque fez da vida total doação. E se doou com caridade, com amor.
O que permanece depois de tudo? Depois do trabalho, do estudo, do esforço… no cair da tarde. O que restará do declínio da luz?
Recorro à poesia1 para responder:
“Muito pouco Restará Depois da fome o sabor do pão Depois da sede o correr da água O feixe de lenha à cabeça Da mulher incendiando O cair da tarde”.
O sono da noite, a inconsciência, é como uma morte, uma pausa no nosso poder de ação. A necessidade do sono anuncia uma espécie de fraqueza porque nossa energia é finita, nos cansamos.
A aurora, no entanto, transforma essa fraqueza em potência. Cada início de dia é uma potência enorme de vida!
E é a fidelidade que nos dá acesso a isso. “Faz o que deves e está no que fazes”.2
Para aqueles de nós que temem a noite, ressoam os versos de Fernando Pessoa: “E quando se vai morrer lembrar-se de que o dia morre, e que o poente é belo e é bela a noite que fica…”
Bela é a noite que fica!
Poema A mesma explicação da herança, de Daniel Faria.
Frase de São Josemaria Escrivá.



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