[#49] O ipê-amarelo
Uma visão poética sobre as flores que caem ao chão.
O poeta Manoel de Barros escreveu que “as folhas das árvores servem para nos ensinar a cair sem alardes”1.
Eu me pergunto: e quanto às flores? As lindas flores amarelas de um ipê, por exemplo. A princípio, servem para nos encantar. Brevemente, entretanto. Mal completam uma semana e elas já caem, deixando os galhos vazios e dando lugar à ausência.
As flores caem ao chão e formam um lindo tapete amarelo. Uma passarela improvisada. Estranhos na rua param seus caminhos para tirar fotos e exclamar um honesto “Que espetáculo!”.
Pouco depois, as flores já estão feias, marrons, despedaçadas: um incômodo. Espera-se que alguém venha varrer aquele lixo.
Reparo a semelhança com nossos amores: em seu auge, lindos e encantadores, nos causam boas sensações; no seu tardar, sem cuidado — o meu fruto sem cuidado que inda verde apodreceu2 —, perdem sua beleza e vitalidade.
O poeta tem razão — e quando não tem?
As flores amarelas também servem para nos ensinar a cair sem alardes. Elas são mais incisivas, contudo.
Trecho do poema Aprendimentos.
Trecho do poema Cartas de meu avô, de Manuel Bandeira.




Tão lindo quanto o ipê! Amei!
Bela analogia, minha querida! A beleza do contemplar.